A arquitetura de Ruy Ohtake é marcada por curvas ousadas, cores vibrantes e formas que desafiam o convencional. Mas além do impacto visual, há um elemento essencial que define seu trabalho: a escolha criteriosa dos materiais. Seja no concreto aparente, no vidro colorido ou no metal moldado, cada material tem um propósito e uma função estética e estrutural. Sua abordagem inovadora não apenas transforma edifícios em obras de arte, mas também responde aos desafios técnicos e urbanos de maneira criativa e funcional.
Desde o início de sua carreira, Ohtake explorou o concreto armado aparente como um de seus principais elementos arquitetônicos. Influenciado pelo brutalismo paulistano de João Vilanova Artigas, ele transformou esse material em uma ferramenta tanto estrutural quanto artística. No Hotel Unique, por exemplo, o concreto ganha forma escultural, sustentando a estrutura curva icônica do edifício. Já no Instituto Tomie Ohtake, ele contrasta com superfícies coloridas, criando um jogo dinâmico entre peso e leveza. Sua habilidade em trabalhar o concreto permite que seus projetos tenham uma presença marcante, ao mesmo tempo em que exploram fluidez e plasticidade.
Outro material fundamental na obra de Ohtake é o vidro, utilizado de forma estratégica para criar transparência, reflexos e integração com o entorno. Em edifícios como o Complexo Ohtake Cultural, o vidro colorido reforça a identidade visual da construção, brincando com a luz e modificando a percepção do espaço ao longo do dia. O arquiteto também incorporou películas metálicas e painéis de vidro em tons vibrantes, criando fachadas dinâmicas que se destacam no cenário urbano. A cor, sempre presente em seus projetos, não é apenas um elemento decorativo, mas parte essencial da composição arquitetônica.
Além do concreto e do vidro, Ohtake frequentemente utiliza metais e estruturas leves para ampliar a liberdade formal de suas construções. No Aquário do Pantanal, o metal permite criar superfícies curvas e alongadas que remetem ao movimento da água. Já na Embaixada do Brasil em Tóquio, as chapas metálicas intercaladas com vidro conferem um equilíbrio entre solidez e fluidez, adaptando a arquitetura brasileira ao contexto urbano japonês. Seu domínio desses materiais permite a criação de espaços arrojados e expressivos, sempre buscando inovação e impacto visual.
A escolha dos materiais na obra de Ruy Ohtake não é meramente funcional; ela faz parte da narrativa arquitetônica, criando edifícios que dialogam com o entorno e com as pessoas que os vivenciam. Se você quer se aprofundar no trabalho desse grande arquiteto e entender como seus projetos transformaram a paisagem brasileira, adquira já o livro “Ruy Ohtake: Arquitetura e Design” no site da J.J.Carol Editora!
Imagem do Hotel Unique: Leonardo Finotti